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Primeira "cura funcional" de HIV em bebê completa um ano

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Primeira "cura funcional" de HIV em bebê completa um ano

Primeira "cura funcional" de HIV em bebê completa um ano

Uma equipe de pesquisadores do Centro da Criança Johns Hopkins, da Universidade do Mississippi e da Universidade de Massachusetts divulgaram no dia 3 de março de 2013 o primeiro caso de “cura funcional” em uma criança infectada pelo HIV.
A criança tinha nascido de uma mãe infectada pelo HIV e recebeu tratamento antirretroviral 30 horas após o nascimento. Uma série de testes mostrou diminuição progressiva da presença viral no sangue do bebê, até atingir níveis não detectáveis 29 dias após o nascimento.
O tratamento foi mantido até 18 meses de idade. Dez meses após a interrupção foram realizados repetidos testes de sangue, sem a detecção do HIV. O teste de anticorpos específicos (o indicador padrão clínico da infecção pelo HIV) também permaneceu negativo.

A virologista da Johns Hopkins, Deborah Persaud (na foto à esquerda), principal autora do estudo, acredita que a administração imediata do tratamento antiviral levou à cura por bloquear os reservatórios virais (células dormentes responsáveis por reacender a infecção, na maioria dos pacientes com HIV, dentro de semanas de interrupção do tratamento).
“A terapia antirretroviral em recém-nascidos pode ajudar crianças eliminar o vírus e alcançar remissão sem tratamento ao longo da vida, prevenindo a formação destes esconderijos virais”, disse a médica.
Persaud afirmou na época que o próximo passo seria descobrir se este caso foi uma resposta altamente incomum e precoce à terapia antirretroviral ou algo que realmente poderia ser repetido em outros recém-nascidos de alto risco.
A divulgação do caso aconteceu em 2013, durante a 20ª Conferência sobre Retrovírus e Infecções Oportunistas (CROI), em Atlanta.
Controladores de Elite
Especialistas dizem que a supressão viral natural sem tratamento é um fenômeno extremamente raro observado em menos de 0,5% de adultos infectados pelo HIV, conhecidos como “controladores de elite”.
O sistema imunológico destes pacientes é capaz de conter a replicação viral e manter o vírus em níveis indetectáveis clinicamente. Especialistas têm buscado uma forma de ajudar todos os pacientes com HIV a alcançar este status.
A novidade pode ser a chave para se chegar a este objetivo, pois sugere que o tratamento imediato dos bebês pode levar a uma geração de ” controladores de elite.”
Atualmente
“A erradicação completa viral em recém-nascidos, hoje em dia, ainda é a melhor terapia como forma de alcançar a cura funcional,” afirmou recentemente Katherine Luzuriaga, da Universidade de Massachusetts.
Ela explica que, em contraste com a cura por esterilização (erradicação completa de todos os vestígios virais do corpo), a cura funcional ocorre quando a presença do vírus é tão mínima que ele permanece indetectável por testes clínicos.
Um único caso de cura por esterilização foi relatado até agora. Ocorreu em um homem HIV positivo tratado com transplante de medula óssea para leucemia. As células da medula óssea do doador vieram com uma mutação genética rara das células brancas do sangue que torna algumas pessoas resistentes ao HIV, um benefício que foi transferido para o destinatário. Uma abordagem muito complexa para ser aplicada nas 33 milhões de pessoas HIV positivas no mundo.
Prevenção ainda é a melhor saída
Os pesquisadores alertam que não existem dados suficientes para recomendar a mudança da prática atual de tratamento de crianças de alto risco.
Hoje, os bebês recebem uma combinação de antirretrovirais em doses profiláticas para evitar a infecção por seis semanas, começando o tratamento com doses terapêuticas uma vez que a infecção é diagnosticada.
Apesar da importante promessa que esta nova abordagem traz para recém-nascidos infectados, os pesquisadores reafirmaram que prevenção da transmissão mãe-filho continua a ser o objetivo principal.
“A prevenção é realmente o melhor remédio e já temos estratégias que podem prevenir 98% das infecções em recém-nascidos por meio da identificação e tratamento de mulheres soropositivas grávidas”, afirma a pediatra Hannah Gay, integrante da equipe.

Agência de Notícias da Aids

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