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Por que Deus retira os Valentes da Batalha?

Essa é uma pergunta que não quer calar e nos intriga profundamente. Por que seus servos e ministros que estão fazendo obras excelentes muitas vezes são atingidos por desastres, tragédias ou enfermidades? Eles não deveriam ter a proteção de Deus? Tantos versos na Bíblia Sagrada nos apresentam esta promessa. Como o Salmo 91 e o Salmo 23, que nos trazem maravilhosas promessas de segurança. O próprio Senhor Jesus Cristo, quando comissionou seus discípulos para a obra missionária, lhes deu uma palavra de proteção maravilhosa quando disse em Lucas 10:19: “Eu vos dei autoridade para pisar serpentes e escorpiões e sobre todo poder do inimigo, e nada vos fará dano algum”. É uma promessa muito clara! Aqueles que entram no terreno do inimigo, em missão, gozam de Sua proteção. Então fazemos a pergunta: por que esses acontecimentos atingem a igreja do Senhor? Acidentes de avião, de carros, naufrágios, terremotos e outras calamidades às vezes até mais difíceis de entender como tetos de igrejas  que caem e matam pessoas que estão adorando a Deus. Enfim, existem diversas formas de tragédias que nos deixam perplexos muitas vezes.

Uma boa parte da igreja olha estes acontecimentos sobre o prisma de maldições. Se estamos com vida, saúde, prosperidade e sucesso, estamos debaixo da benção de Deus. Mas se coisas tristes começam acontecer então é sinal de que aquele pastor ou aquela obra está debaixo de alguma maldição ou desobediência ou até mesmo de algum “pecado oculto”. Entretanto, uma olhada mais profunda na palavra de Deus nos dá uma visão um pouco diferente. Primeiramente, “o que conhecemos e o que profetizamos é sempre em parte”, e não absoluto, como nos ensina o apóstolo Paulo em I Cor. 13:9. Ou seja, há sempre uma margem para que os acontecimentos venham contrários ao nosso conhecimento ou a nossa profecia.

Isto tira de nós o sentimento de absolutismo e consequentemente toda arrogância de sermos os “donos da verdade”. Mas isto não anula nosso ministério profético? De forma alguma! Torna o profeta mais dependente de Deus. Quando o profeta Elias profetizou que viria chuva sobre a terra depois de anos de seca, o que ele fez? Ele subiu ao monte, se ajoelhou, meteu o rosto no chão e clamou a Deus para que o Senhor honrasse sua palavra. Se seu ministério de profecia fosse absoluto, ele não precisaria orar. Após sua profecia, a palavra se cumpriria naturalmente.

Outro aspecto importante é a vida de Paulo. Em suas viagens missionárias ele enfrentou muito obstáculo. Teve dois naufrágios, uma sentença de morte, picado por uma serpente venenosa, ficou enfermo, lutou com um espinho na carne,  e muitos outras provações. Paulo estava debaixo de maldição? Ou de algum pecado oculto? Acho que todos concordam que não! Apenas estava fazendo a obra do Senhor e se expondo a riscos maiores que as demais pessoas. Ele mesmo reclama esta disposição, como marca de seu apostolado em II Coríntios 12.

Em Hebreus 11:10-22, o escritor nos fala sobre os heróis da fé, que venceram triunfantemente, mas nos dá uma outra lista dos que venceram porque sofreram e morreram cumprindo suas missões e seus chamados. E no livro de Apocalipse o Senhor menciona os vencedores várias vezes, como aqueles que morreram pelo testemunho de Jesus (Apocalipse 12.11).

A perspectiva que uma parte da igreja hoje tem da morte é bastante diferente da perspectiva dos apóstolos, profetas e dos santos da igreja primitiva. Paulo disse que para ele “o morrer era lucro”, e que ele queria “partir para estar com Cristo” (Filipenses 1:21, 23). Mas para uma parte da igreja hoje morrer é derrota, fracasso, ou sinal de maldição. Como a visão do Cristianismo mudou! Então perguntamos: por que Deus retira esses valentes da peleja, às vezes até fora de hora aos nossos olhos? Ninguém tem uma resposta completa, mas temos algumas pistas.

Deus retirou valentes da peleja como, por exemplo, Elias, porque ele se cansou. Ele pediu à morte para si, debaixo de um estresse tremendo que seu ministério estava passando (I Rs. 18). Deus retirou Moisés, porque ele quebrou sua palavra (Números 20.7-12). O Senhor tinha-o orientado a falar a rocha, mas ele bateu nela. Sua ira o derrotou. Deus retirou Josias, porque ele não discerniu o conselho do Senhor nas palavras do Faraó Neco do Egito. Ele lutou uma batalha que não era dele! Ele entrou numa batalha errada, e sem a direção de Deus ele não teve sua proteção (II Crônicas 35:20-24). Ele retirou Tiago, irmão de João, morto pela espada de Herodes, porque ele e seu irmão disseram que aceitariam tomar o cálice e ser batizado com o batismo que Jesus seria batizado, quando sua mãe intercedeu por um lugar de autoridade na vinda de Jesus em seu reino (Mateus 20:20-23).

Por outro lado, o Senhor livrou vários de seus servos de uma morte precoce como Davi, na batalha contra os Filisteus (I Samuel 17). Livrou Daniel na cova dos leões (Daniel 6) e Sadraque, Mesaque e Abednego da fornalha ardente (Daniel 3). Livrou Pedro na prisão, enviando um anjo que soltou suas correntes (Atos 12.5-11). Livrou Paulo e Silas da prisão abrindo todas as portas da cadeia (Atos 16:25-26). Livrou seu povo Israel das mãos de Farão e de se afogar no mar vermelho (Êxodo 14). Enfim, Ele livrou e livra milhares de servos que confiam nele e a Ele entregam suas vidas diariamente.

O importante é aprendermos com os que padeceram pelo nome de Jesus e por cumprir suas missões e seus chamados, entendendo que eles literalmente cumpriram o que está escrito: “Por amor de ti somos entregues o dia todo, fomos considerados como ovelhas para o matadouro.” (Salmo 44:22). O mesmo princípio, encontramos em Hebreus 11:36-38, que nos mostra heróis da fé que não tiveram o mesmo sucesso de Enoque que foi trasladado, ou de José que se tornou governador, ou de Davi que se tornou rei. Muitos foram fugitivos, sacrificados, e martirizados. Na perspectiva de muitos, esses que padeceram estavam debaixo de maldições ou até de pecado. Por incrível que pareça muitos pensam que eles fracassaram!

Sobre o colunista

Robson Rodovalho é físico graduado pela Universidade Federal de Goiás, da qual também foi professor. Formou-se ainda em Teologia e Filosofia, adquirindo conhecimentos que associa às suas constantes pesquisas no campo da Física Quântica. É fundador, Bispo e presidente do Ministério Sara Nossa Terra, que criou em 1992, ao lado de sua esposa, Bispa Lúcia Rodovalho. Conferencista internacional, ministra palestras sobre temas relacionados à relação entre ciência e fé, gestão, desenvolvimento pessoal e profissional, entre outros. Compositor e cantor, já lançou dois DVDs e sete CDs. Com o título “Sara Nossa Terra, Por Favor”, gravado pela Som Livre, garantiu o Disco de Ouro, em 2013. Rodovalho também é escritor. Seu ultimo livro, Rompiendo las Maldiciones Hereditarias, junta-se a uma bibliografia própria com mais de setenta obras. Entre os títulos de caréter científico, destaca-se Ciência e Fé – O Reencontro pela Física Quântica. Publicado pela editora LeYa, o título ficou por três semanas no topo da lista dos mais vendidos no país da revista Veja, logo após seu lançamento, em julho de 2014. Presidente da Rede Gênesis de TV e da Rede Sara Brasil de rádio, Rodovalho apresenta o programa Vida com Esperança, que vai ao ar diariamente para 22 capitais em sinal captado pelas TVs abertas. A transmissão também é reproduzida pelas rádios. Atuou como deputado federal por um mandato (2007-2010), deixando relevante legado para a sociedade. Entre as suas contribuições, destacam-se as bases da legislação que concedeu isenção fiscal ao microimportador (“sacoleiros”), além da lei que reconhece eventos gospel como culturais, concedendo-lhes os benefícios da Lei Rouanet que garantem financiamento mediante renúncia fiscal. Entre as homenagens que recebeu estão a condecoração como Destaque Nacional da Frente Parlamentar Evangélica (2004), Honra ao Mérito – Comissão Nacional de Defesa dos Direitos Humanos (2009) e Medalha do Mérito Legislativo (2013).

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