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Jornal O Globo destaca movimento em prol da paz promovido por membros da Sara do Rio de Janeiro

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Jornal O Globo destaca movimento em prol da paz promovido por membros da Sara do Rio de Janeiro

Jornal O Globo destaca movimento em prol da paz promovido por membros da Sara do Rio de Janeiro

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Manifestantes reunidos pela Sara Nossa Terra na Rua Salvador de Mesquita

Assustados e inconformados com a violência do Recreio no Rio de Janeiro, moradores da região começaram a se mobilizar, de formas distintas, pela paz. Nas últimas semanas, duas novas iniciativas se destacaram: a organização de uma espécie de patrulha do bairro e a realização de correntes de oração nas ruas. Enquanto isso, a polícia procura fazer a sua parte, e, desde a última segunda, o efetivo do Recreio foi dobrado, passando de 26 homens para 53 por dia nas ruas.

Recém-chegados ao bairro, os primos Claudia Rangel e Marcos Fernando Santos dizem que não imaginavam que a quantidade de assaltos fosse tão grande. Depois de ler sobre o projeto Vizinho Solidário, existente em São Paulo, Minas e Paraná, Cláudia decidiu fazer algo semelhante no Recreio

— O projeto se baseia na distribuição de apitos, para que pessoas possam alertar sobre algum perigo nas ruas; e na colocação de placas nas portas das casas, explicitando a falta de segurança no bairro. Postei a ideia no Facebook e houve uma aceitação muito grande. Criamos um grupo no WhatsApp que já tem 400 pessoas. Tudo ainda está muito recente; estamos conversando e trocando ideias. Queremos criar até um aplicativo para informar sobre a ocorrência de crimes — explica a representante comercial, que morava no Camorim até seis meses atrás.

Santos salienta que a intenção não é apitar no momento em que estiver ocorrendo um assalto, para que o criminoso não se assuste e decida atirar, por exemplo.

— A ideia é usá-lo se a pessoa estiver passando e observar uma situação suspeita, como um bandido em fuga, por exemplo. Estamos orientando a que as pessoas se mantenham a uma distância segurança e apitem para alertar quem estiver por perto — diz o empresário, que se mudou de Vila Valqueire para o Recreio este ano e acha a medida necessária devido à sensação de insegurança no bairro. — Não é um caso por semana; são assaltos todos os dias.

Também membro do grupo do WhatsApp, o tenente Leonardo Massari, comandante da 3ª Companhia Destacada do Recreio, disse que não foi informado sobre a intenção de oferecer ajuda financeira à corporação, mas acompanhou e aprovou a iniciativa de moradores:

— Será inevitável surgirem informações imprecisas, mas qualquer mobilização que visa a nos trazer notícias sobre ocorrências é válida.

O grupo já teve um encontro presencial e encomendou os apitos, além de confeccionar panfletos informativos e faixas para serem colocadas em vias do bairro. Outra ideia é colaborar financeiramente para que a polícia possa consertar viaturas e motos quebradas.

Em fevereiro, a 42ª DP (Recreio) registrou 125 casos de roubo e 297 furtos. Em comparação com o mesmo período do ano passado, não houve grande mudança: foram 111 e 367 ocorrências, respectivamente. Ainda assim, o efetivo diário do Recreio acaba de receber um reforço de peso. Desde o início da semana, todos os dias o comandante recebe o reforço de 21 homens da Polícia Montada e seis policiais, em três viaturas:

— Tivemos esse reforço do Regimento de Policiamento Montado, o que significa mais 27 homens por dia, além dos 26 que já faziam o patrulhamento ostensivo. Antes, a Cavalaria só participava de operações na orla. Agora, teremos apoio nas ruas internas também.

Há dez dias, as ruas do Recreio estão sendo ocupadas por uma grande corrente pela paz. As manifestações, realizadas diariamente desde o dia 28, são iniciativa do núcleo jovem da igreja evangélica Sara Nossa Terra.

— Este ano percebemos um aumento muito grande da violência. Talvez por efeito da onda do verão. Mas o fato é que, durante nossos encontros, ficamos pensando o que poderíamos fazer para ajudar, além de orar em casa — explica um dos líderes do movimento, Alex Gonçalves.

Ao surgir a ideia da passeata, Gonçalves pediu, pelo Facebook, que moradores indicassem ruas que precisavam de bênção.

— Eu não imaginava uma participação tão grande. Rapidamente, já havia mais de 200 ruas listadas. Elegemos inicialmente 21, para ver como vai ser — explica Gonçalves, referindo-se ao primeiro cronograma de orações, que vai até o dia 16.

As passeatas vêm reunindo cerca de 50 pessoas, que levam cartazes pedindo paz. Apesar do cunho religioso, o pastor Rafael Lessa diz que a intenção é apenas espalhar uma corrente positiva pelo bairro, e não fazer doutrinação evangélica.

— Há sempre pessoas de outras religiões também. Estamos todos envolvidos na busca pela paz. Queremos ser os anjos do Recreio, espalhando boas mensagens — diz Lessa, que lamenta, além da violência, o crescimento da intolerância da população. — Com a inoperância do estado, a revolta aumenta. Mas fazer justiça com as próprias mãos não é solução.

Fonte: oglobo.globo.com

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