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Resgate da aceitação

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Resgate da aceitação

Resgate da aceitação

A história de Mefibosete, narrada no capítulo 9 do segundo livro de Samuel, é bem interessante, pois fala do resgate da aceitação, do resgate de um homem que foi banido de seu povo, de sua condição de príncipe.

Ele era filho de Jônatas, neto de Saul, e tinha por herança o direito de sentar-se no trono que agora era de Davi. Quando ele chegou à presença de Davi e se prostrou, o rei lhe disse: “Não temas”. Mefibosete tinha certeza que iria morrer, pois era comum os reis que assumiam o trono matarem os familiares de um rei deposto. Porém, o que ele não imaginava é que aquele seria seu momento de honra. Eu não sei como você tem vivido emocionalmente, mas com certeza o seu momento de honra vai chegar.

Mefibosete viveu uma história trágica, pois viu toda a família de seu pai morrer na guerra ou ser assassinada. Com toda certeza, ele poderia ter sido um líder forte, visto que havia sido criado por um pai maravilhoso e cercado de pessoas sábias. Ele tinha uma bela aparência, mas tinha também um grande problema: era aleijado de ambos os pés, resultado de uma queda em sua infância.

Após a morte de Saul e Jônatas, toda a linhagem deles foi morta, restando apenas Mefibosete, que foi preservado por dó devido à sua incapacidade física. Então, ele foi levado para viver em um lugar chamado Lo-Debar, que transmite a ideia de um lugar sem palavra, de silêncio, sem comunicação. Um lugar excluído, onde a voz ou a palavra não tem força; onde as ideias e vontades não podem prevalecer.

Davi trouxe Mefibosete para sua casa devido a uma aliança que havia feito com Jônatas acerca de sua descendência. Então, quando Davi chamou Mefibosete à sua presença, mesmo sem conhecê-lo, ele estava honrando essa promessa. Uma pessoa de honra nunca se esquece das suas alianças. Não importa o que seus pais tenham sido para você – se eles lhe prejudicaram, bateram, não lhe ajudaram –, eles são seus pais, lhe deram a vida e merecem honra, pois vocês têm um laço de sangue. Alguém de honra também não abre mão de sua família e de seu casamento.

Mefibosete havia perdido toda sua honra. Esse nome, no original hebraico, significa “vergonha”. Ele era o retrato da dor, da vergonha, da tristeza, da rejeição, do silêncio, do isolamento – tudo o que uma pessoa não desejaria ser nem viver. Era um príncipe deposto, sem coroa, excluído da casa real, fruto de uma desgraça familiar. Foi tirado do palácio para viver em um lugar solitário, sem comunicação, onde sua voz não tinha ressonância nem valor. Muitas pessoas têm vivido exiladas nessa terra de silêncio devido a inúmeras situações difíceis em suas vidas no passado.

Ao receber o chamado de Davi, Mefibosete deve ter se assustado e ficado com medo de perder a vida. Mesmo sem nunca ter feito mal para alguém, ele carregava sobre si um fardo de medo, culpa e condenação que havia herdado de sua família. Muitas vezes, nós também nos encontramos nessa situação, carregando fardos e culpas que não são nossos.

Lo-Debar era uma região próxima a Jerusalém. Porém, mesmo assim, Mefibosete vivia completamente isolado de tudo e de todos. Sua voz não podia ser ouvida, a solidão dominava sua existência. Eu sempre digo que Lo-Debar é um lugar emocional, em que ninguém deveria viver, pois é um lugar sem honra, com a consequência de viver circunstâncias difíceis e de não poder superá-las.

Mefibosete era uma pessoa inteligente e esclarecida, podia comandar seus movimentos, embora suas pernas não lhe obedecessem. Seu problema era funcional, não era mental, e isso o limitava muito. Por isso, apesar de sua inteligência, ele não tinha esperança de um futuro melhor. Tenho observado que muitas pessoas vivem dessa mesma maneira: são inteligentes, capacitadas mentalmente, mas limitadas em seus movimentos emocionais, sociais e relacionais. Vivem sem esperança e vitalidade, trabalham onde não gostam, se afastam cada dia mais de seu propósito e das pessoas.

Imagino que quando vivia em Lo-Debar, Mefibosete ficava pensando: “Eu poderia ter sido o rei de Israel. Eu poderia ter sido alguém diferente. Por que essa situação aconteceu comigo?” Será que esses pensamentos já não passaram pela sua mente também? Você já não questionou a Deus pelos momentos difíceis que passou (e passa) na vida? “Eu tenho sido fiel a Deus, à minha casa, àquilo que acredito! Por que, então, tenho passado por tudo isso?”

Muitos cristãos hoje, mesmo não tendo limitações físicas, têm algum tipo de disfunção emocional que os limita e restringe. São pessoas esclarecidas, sabem o que devem fazer, conhecem a Palavra de Deus e Suas promessas, têm ciência dos direitos que Jesus conquistou para eles por meio de sua morte e ressurreição, sabem que podem ser diferentes, mas nada disso produz efeito em suas vidas. Os anos passam, mas nada muda, nada acontece; o Diabo os levou para Lo-Debar e eles não conseguem sequer lutar para tentar sair.

Precisamos entender que Deus não nos chamou para vivermos na terra do silêncio, num lugar sem voz. Deus nos deu voz, palavra, por isso, devemos aprender a usá-las. Infelizmente, a grande maioria das pessoas, principalmente os homens, não sabe se comunicar, não foi treinada para expressar corretamente suas emoções. É verdade que as mulheres são mais emotivas e os homens mais racionais, porém, o Senhor deseja que ambos aprendam a abandonar a terra do silêncio para expressar sua voz interior, construindo, assim, relações saudáveis.

 

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