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Bancadas evangélicas abrem guerra contra peça de teatro

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Bancadas evangélicas abrem guerra contra peça de teatro

Bancadas evangélicas abrem guerra contra peça de teatro

porno_gospel-kdjc-u20328037486ble-1024x731gp-webUma peça de teatro intitulada “Porno Gospel” que se propõe a satirizar as relações entre religião, política e sexo no Brasil atual se tornou o novo “cavalo de batalha” das bancadas evangélicas na Assembleia Legislativa e Câmara Municipal de Curitiba. Nesta segunda-feira (06), a deputada estadual e cantora gospel Mara Lima (PSDB) apresentou uma moção de repúdio, com o apoio de outros sete parlamentares, acusando o espetáculo de promover a “intolerância religiosa”. Na véspera, treze vereadores da Capital fizeram o mesmo. A votação de ambos acabou adiada para a semana que vem.

A peça, que está sendo apresentada desde o dia 19 de maio, em temporada até este domingo (12), no mini-teatro Guaíra, é produzida pelos grupos independentes A Fantástica Cia de Teatro, Serafim Cia. Teatral, Companhia de Variedades e Cia Variedades Produções Artísticas. A história se passa em uma cidade fictícia chamada “Paradise City”, que segundo os autores, liderada pela Igreja Missionária do Senhor do Pastor Jair Malagaia e da cantora gospel “Nara Lira”.

Na segunda-feira, treze vereadores da Câmara assinaram requerimento em repúdio à peça, defendendo a sua proibição. Na sessão da Assembleia, a deputada Mara Lima apresentou requerimento com argumentos semelhantes. Na justificativa do pedido, os deputados alegam que “pelo próprio nome”, a peça “já carrega o caráter ofensivo conotado de intolerância religiosa e discriminação motivada em função do credo”. Eles afirmam ainda que “nas entrelinhas da sinopse da peça, ressalta-se a prática da violência simbólica, caracterizada pelo constrangimento e exposição vexatória de pessoas baseado na crença”. Os parlamentares apresentaram outro requerimento, pedindo informações à Secretaria de Cultura, se o espetáculo teria recebido algum tipo de incentivo público.

A deputada Mara Lima alegou ainda aos colegas ter se sentido ofendida pelo enredo da peça, que inclui uma personagem de nome “Nara Lira”, definida como uma “cantora gospel e dona de uma rede de lojas de produtos do Senhor (livros, cds, camisetas, presentes…), e agora lançando no mercado, uma linha de produtos eróticos, feita especialmente para crentes”.

No caso da Câmara, o requerimento não chegou a ser votado por falta de tempo. Na Assembleia, a própria Mara Lima retirou a proposta de pauta a pedido do líder do governo, deputado Luiz Cláudio Romanelli (PSDB). Ele argumentou que seria melhor esperar a resposta da secretaria ao pedido de informações. Apesar do adiamento, o líder governista defendeu a aprovação do requerimento. “Com certeza a moção será aprovada porque é muito grave o que ela repudia”, alegou. “Pelo que eu ouvi a peça veicula de forma grotesta um ataque a uma parlamentar”, explicou.

O deputado Tadeu Veneri (PT) criticou a iniciativa. “Na verdade estão promovendo a peça. Quando alguém faz uma peça, faz para quem quiser assistir”, defendeu.

Ficção

Fernando Cardoso, um dos produtores do espetáculo, nega qualquer intenção de ofensa à religiões ou ao segmento evangélico. “Na peça, não há qualquer menção ao evangelho ou a Cristo. Simplesmente pegamos reportagens sobre acontecimentos dos últimos anos para fazer uma ficção baseada em fatos reais”, diz. “Eu inclusive sou evangélico”, conta, relatando ainda que sua mãe é ministra da Igreja do Evangelho Quadrangular. “Falam tanto em intolerância, mas quem está sendo intolerante são eles”, critica o produtor, confirmando que o grupo tem sido alvo de ameaças pelas redes sociais. Sobre a personagem “Nara Lira”, ele nega relação direta com a deputada. “A peça é uma sátira que usa referências para buscar identificação com o público”. Ele explica ainda que o trabalho é uma produção independente, bancada por financiamento coletivo, sem uso de recursos públicos. A única relação com a Secretaria de Cultura é pelo fato do espetáculo estar sendo apresentado no teatro Guaíra, a partir de um edital de ocupação do espaço.

Sobre o nome da peça, Cardoso conta que foi inspirado em notícias reais de jornais brasileiros sobre o lançamento de produtos eróticos voltados para o público evangélico, que podem ser encontradas por qualquer um em uma simples busca na internet.

Fonte: Bem Paraná

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