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Arteterapia é muito mais do que fazer pinturas legais, diz especialista

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Arteterapia é muito mais do que fazer pinturas legais, diz especialista

Arteterapia é muito mais do que fazer pinturas legais, diz especialista

arteteQualquer pessoa que tenha usado uma caneta para rabiscar um papel, lápis de cera para colorir um livro ou as mãos em argila molhada conhece os poderes curativos embutidos em tais esforços criativos.

Mais do que um passatempo, a arte pode ser uma fuga, um estímulo, um grito de guerra ou uma tranquila pausa.

A arteterapia, definida como “uma forma de psicoterapia que utiliza os meios artísticos como seu principal modo de comunicação”, gira em torno desse princípio do imenso poder da arte.

Aberto às crianças e adultos de qualquer formação e experiência, esse campo, ainda em desenvolvimento, explora modos de expressão, entendimento e cura que ocorrem quando a tinta toca a tela.

Embora muitas escolas hoje funcionem sob a premissa que de a arte é irrelevante, um desvio das disciplinas acadêmicas tradicionais, os arteterapeutas sabem o que estão dizendo. Eles sabem que a arte tem o potencial de mudar vidas e até mesmo de salvá-las.

Tally Tripp é diretora clínica de arteterapia da Universidade George Washington, especializada em indivíduos que passaram por traumas. Tendo começado nesse campo desde seu surgimento, nos anos 70, Tripp foi fundamental em desenvolver essas atividades da forma como conhecemos hoje.

O que torna a arteterapia tão poderosa?

Arteterapia é mais do que apenas fazer pinturas legais. Na verdade, arteterapia é muitas vezes um processo de fazer pinturas feias ou bagunçadas que retratam um sentimento, não um produto final todo bonitinho e arrumadinho.

A arteterapia tem a ver com aquele processo criativo onde o cliente, em companhia de um arteterapeuta, está trabalhando e retrabalhando problemas por meio de materiais artísticos fluidos e variados.

No atendimento particular, vejo que as peças de arte criadas espontaneamente são as mais significativas e, muitas vezes, ajudam a pessoa a encontrar uma resolução para experiências traumáticas específicas. O benefício ocorre quando a arte realizada facilita uma sensação de domínio sobre o problema.

Por exemplo, um paciente que sofreu anos de abuso ou negligência na infância pode ser capaz de finalmente expressar sentimentos que haviam sido evitados ou empurrados para fora da percepção consciente, porque eram muito fortes na época.

As imagens frequentemente falam mais alto do que as palavras. Com o incentivo do arteterapeuta, os difíceis sentimentos podem ser expressados através da arte. O processo varia muito, por isso não há uma maneira de descrever o que acontece em uma sessão.

Quando uma pessoa olha pela primeira vez para um papel em branco, pode haver alguma resistência ou hesitação em explorar sentimentos, por isso as imagens resultantes podem aparecer apertadas e controladas como em um desenho ou esboço a lápis.

Mas, depois que certa confiança é estabelecida no relacionamento terapêutico, o processo artístico pode se mover em direção a uma atividade mais expressiva, que sugeriria que o paciente está acessando uma emoção mais forte.

Muitas vezes o paciente começará a usar materiais mais evocativos nesse ponto, por exemplo, usando tinta ou argila para expressar raiva, vergonha ou medo.

O arteterapeuta conhece os problemas psicológicos e o uso de vários meios de arte; o processo é flexível e individualmente focado em apoiar o paciente a encontrar materiais e técnicas que se conectem com os problemas em questão.

E à medida que um paciente se torna mais aberto ao processo e descobre mais recursos criativos dentro de si próprio, o produto artístico também mudará. Em arteterapia, sempre existe aquele limite criativo que mantém o processo dinâmico e contribui para o processo de cura.

Fonte: HuffPost Brasil

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