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“Eu não sabia ler, escrever, tive uma infância difícil, mas Deus mudou a minha história”, relata o bispo Maurício Blois

12523850_270321636632575_2348722876998471204_nMaurício Blois nasceu no interior do Maranhão, sem nenhum referencial familiar. “Cresci sem saber o que era um pai, uma mãe. Eu não sabia o que era isso. Minha mãe foi muito trabalhadora e muitas vezes eu ficava muito tempo sem vê-la. Ela trabalhava em lugares que eu sequer sabia onde ficavam”, conta. Maurício conta que o pai que teve foi  o mundo, “a realidade das outras famílias da cidade era o que eu tinha de referencial de pai, de homem dentro de casa”.

Muitas vezes chegava à época da quadrilha na escola e os pais levavam seus filhos, e ele não tinha ninguém para o levar, para o ver dançando a quadrilha. Às vezes os professores diziam que queriam falar com alguém da sua família e ele dizia apenas que iria levar, mas se perguntava quem.

Para ir à escola tinha que andar muito e uma vez, nesse caminho até a escola, dois garotos o cercaram querendo brigar e ele apanhou muito. “Depois daquilo, me levantei, sacudi a poeira, peguei meus cadernos e me questionei, por que eu iria estudar? Se eu tivesse pai, alguém para me proteger, ninguém tocaria em mim. Então decidi parar de estudar. Cursei até a 3º série que até então era o ensino primário”, diz.

O sonho de Maurício era ter brinquedos, pois quando chegava o Natal ele não tinha nada, nenhum brinquedo pra brincar.  Apaixonado por balão seu sonho era ganhar um de natal. “Hoje eu tenho uma vida totalmente diferente da infância que eu tive. Deixei o nordeste e vim para Brasília ganhar a vida, e quando cheguei aqui me senti solitário, parecia um Tarzan na selva. Eu estava admirado com tudo, até mesmo com a escada rolante, porque eu nunca tinha visto aquilo. Meu sonho era ver um prédio, na roça não tinha”, diz.

Ao chegar a Brasília para morar com alguns irmãos que já estavam na cidade, o jovem se perdeu, começou a se envolver em coisas erradas. Ele era carente, só queria um amigo. Maurício conta que  lá no nordeste podia até não ter dinheiro, nem vida boa, mas tinha alguns amigos. Aqui, infelizmente, escolheu as pessoas mais erradas para estar ao seu lado, inclusive muitos deles hoje estão mortos. Seus irmãos tentavam o alertar, mas ele não queria escutar.

“Meu coração estava tão ferido, tão machucado, que eu comecei a me enfiar mais no mundo do crime, eu não queria ouvir ninguém, vivia pedindo favor para as pessoas. Dormindo de canto em canto. Cheguei ao ponto de pedir para varrer academia em troca de moradia”. Um dia vendo os professores ensinando as séries na academia onde estava morando de favor, passou a sonhar em ser um professor. Ficou ali naquele lugar durante dois anos e prestou atenção em tudo o que os professores ensinavam para as pessoas que iam treinar e assim se tornou um professor, na época.mauricio

Novamente Maurício se perdeu, começou a tomar muitos anabolizantes e drogas, pois queria ser reconhecido. Chegou a participar de campeonatos e com 17 anos pesava 90kg.  As pessoas o chamavam de “Mauricião” e todos queriam estar perto dele, mas pelo excesso de remédios quase morreu. Entrou em depressão, perdeu o emprego, voltou a passar necessidades e se perguntava  por que  sofria tanto.

“Consegui um emprego de porteiro de faculdade. Gostava de trabalhar ali porque as pessoas falavam boa noite por educação e aquilo mudava a minha vida. Eu era invisível para os outros, mas para Deus eu era visível. Um desses cumprimentos mudou tudo. Um líder da SNT além de me cumprimentar, destinava seu tempo de lanche para ficar ali, conversando comigo, que era o porteiro”, lembra.  Depois disso, ele fez  o Revisão de Vidas, mas começaram as perseguições. Na mesma semana teve uma reunião na empresa da faculdade e o seu chefe falou que todos os funcionários teriam que trabalhar aos domingos, e ele estava escalado em todos, mas teria folga nas segundas.

“Eu fiquei me perguntando, como eu vou fazer minha Escola de Vencedores, como era o nome naquela época, e eu tinha que tomar uma decisão. Essa empresa nunca abria aos domingos, mas quando eu fiz o Revisão de Vidas essa escala começou a funcionar”, conta. Então Maurício decidiu não trabalhar. Ele não sabia como ia se alimentar ou como ia pagar o aluguel, mas queria ser um líder.

“Eu não sabia nem ler e nem escrever, tinha aprendido muito mal lá no Maranhão, e mesmo assim eu queria ter aulas no Instituto de Vencedores. Não foi fácil. Na hora da prova eu tinha tanto medo, porque eu não sabia escrever. Se a professora não entendesse o que eu escrevesse, eu não ia fazer a prova oral, mas eu continuava dizendo que eu queria ser um vencedor, eu queria continuar naquela sala”, disse.  Maurício conseguiu se formar no IV.

Foi para uma célula e o seu líder dizia que ele tinha um propósito muito grande, mas ele não sabia que ele não conseguia ler e escrever. “Toda vez ele me pedia para eu abrir a minha célula, para pregar a Palavra de Deus e eu tinha vergonha de dizer que eu não sabia ler, que eu não ia saber o que dizia a Bíblia. Quando eu fui abrir a minha célula, chegava em casa, pegava o manual e ficava de 22h até 04h soletrando cada palavra, decorando”, diz.

Mesmo com todo o esforço, as pessoas não participavam de sua célula, e ele começava a dizer que as pessoas eram os móveis velhos que tinha em casa, a geladeira velha, o sofá rasgado e começava a dar nomes aos objetos. Mas continuava pregando. Deus então o abençoou e daquela célula vazia, a sua casa começou a ficar tão cheia que já não cabia mais ninguém. Muitas pessoas importantes estavam na sua célula.

O seu sonho era ter uma família, com esposa, filhos e um cachorro. Ficou cinco anos sozinho, sem nenhum relacionamento errado, até conhecer  Ana Paula. Ficava olhando pra ela no Arena Jovem, tentando conquistá-la.  Achava que ela não era para ele, que ela era demais diante de todo o seu passado. Mas algo o encorajou e ele disse para ela: “Eu ganho 380 reais, não sei ler direito, não sei escrever, sou um homem de Deus. Tem cinco anos que eu não toco em uma mulher, não porque eu não quis, mas porque eu estava esperando a vontade de Deus, mas se você me der a oportunidade de te conhecer, mesmo eu não tendo muito pra te oferecer, um dia você vai ser a mulher mais feliz da terra, porque vai ser a mãe dos meus filhos e vai ter do bom e do melhor, porque eu sou um homem de Deus”, conta. Hoje, Maurício e Ana Paula são casados, tem filhos, sãos Bispos e Coordenadores da Sara Nossa Terra da Ceilândia, cidade satélite do Distrito Federal.

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