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A “CURA GAY”: O DONO DO ARMÁRIO

Recentemente uma notícia agitou as mídias e a rotina de diversas pessoas: “A cura gay”. A Justiça Federal do Distrito Federal concedeu na última sexta-feira (15) uma liminar que permite que psicólogos possam tratar gays e lésbicas como doentes e fazer terapias de “reversão sexual”. O assunto tem gerado polêmica, principalmente entre os grupos de LGBTTS. Para falar sobre o assunto, nesta quinta-feira, Bispo Rodovalho escreveu um artigo que foi publicado na Folha de S.Paulo. Confira o texto na íntegra:

Para aqueles que em algum momento da vida se entendem homossexuais, os psicólogos estão, como sempre estiveram, livres para oferecer sua competência profissional como suporte diante da “descoberta” e eventual desejo de viver esse novo “eu”.

Esse mesmo profissional, no entanto, estava proibido de atender aqueles que, em dúvida sobre sua sexualidade, buscavam uma terapia que os ajudasse a seguir como heterossexual.

Pois a Justiça restabeleceu, na última sexta-feira (15), a um só tempo, o equilíbrio dos direitos dos cidadãos, a plenitude do exercício profissional dos psicólogos e o acolhimento também àquele que busca suporte terapêutico para viver conforme sua vontade, em harmonia com suas características físicas sexuais de nascimento.

O juiz Waldemar Cláudio de Carvalho, da 14ª Vara Federal de Brasília, reconheceu em decisão histórica que cabe, no exercício da psicologia, esse tipo de atendimento, sem deixar o profissional vulnerável a punição do Conselho Federal de Psicologia (CFP), que desde 1999 proíbe qualquer terapia que proponha esse tipo de tratamento.

À semelhança dos atos institucionais da ditadura, o CFP impôs a proibição aos profissionais da carreira, sob o argumento de que homossexualidade não é doença; portanto, não caberia tratamento voltado àqueles que, a despeito de “n” razões, querem seguir como heterossexuais.

É sabido que nós, cristãos evangélicos, temos entre nossos valores mais preciosos o entendimento de que a vida foi concebida por Deus para a convivência entre homens e mulheres, assim nascidos do ponto de vista biológico.

Da mesma forma, está clara para nós, e para a sociedade de uma maneira geral, a força da militância LGBT, que em regra ganha o suporte de líderes e formadores de opinião, com atuação agressiva e eficiente nas redes sociais, que se dizem defensoras das liberdades individuais, quaisquer que sejam.

E, embalada por esse discurso, a doutrina de que sexo é uma formação conceitual empurrou a ideologia de gênero para o conteúdo de formação escolar do ensino básico.

A métrica do juiz federal Waldemar Cláudio de Carvalho foi muito mais no sentido de restabelecer direitos de forma equânime do que uma abordagem de mérito, um alinhamento ao que, de forma pejorativa e preconceituosa, tem sido chamado de “cura gay”.

Para nós, cristãos, é sagrado o direito de alguém receber ajuda -ou tratamento, como se queira chamar- diante de qualquer desvio de comportamento.

Mais ainda quando se trata do desejo de restabelecer um comportamento que consideramos natural, que é o de seguir como o homem ou a mulher que ganhou a bênção da vida.

Não cabe, na ordem natural do universo e da vida, entender o sexo como opção conceitual, criação de cada um, como prega a ideologia de gênero proposta por Judith Butler.

Há exceções, claro, que precisam ser respeitadas e encaradas como tal. Mas não se pode fazer da exceção a regra, o ciclo natural da vida. Numa sociedade democrática que se pretende plural, como a nossa, o equilíbrio dos direitos é fundamental. Ou só há direitos a quem decide sair do armário? Ora, se o sujeito não quer sair e precisa de ajuda profissional para isso, é fundamental respeitá-lo. O armário é dele.

 

Sobre o colunista

Robson Rodovalho é físico graduado pela Universidade Federal de Goiás, da qual também foi professor. Formou-se ainda em Teologia e Filosofia, adquirindo conhecimentos que associa às suas constantes pesquisas no campo da Física Quântica. É fundador, Bispo e presidente do Ministério Sara Nossa Terra, que criou em 1992, ao lado de sua esposa, Bispa Lúcia Rodovalho. Conferencista internacional, ministra palestras sobre temas relacionados à relação entre ciência e fé, gestão, desenvolvimento pessoal e profissional, entre outros. Compositor e cantor, já lançou dois DVDs e sete CDs. Com o título “Sara Nossa Terra, Por Favor”, gravado pela Som Livre, garantiu o Disco de Ouro, em 2013. Rodovalho também é escritor. Seu ultimo livro, Rompiendo las Maldiciones Hereditarias, junta-se a uma bibliografia própria com mais de setenta obras. Entre os títulos de caréter científico, destaca-se Ciência e Fé – O Reencontro pela Física Quântica. Publicado pela editora LeYa, o título ficou por três semanas no topo da lista dos mais vendidos no país da revista Veja, logo após seu lançamento, em julho de 2014. Presidente da Rede Gênesis de TV e da Rede Sara Brasil de rádio, Rodovalho apresenta o programa Vida com Esperança, que vai ao ar diariamente para 22 capitais em sinal captado pelas TVs abertas. A transmissão também é reproduzida pelas rádios. Atuou como deputado federal por um mandato (2007-2010), deixando relevante legado para a sociedade. Entre as suas contribuições, destacam-se as bases da legislação que concedeu isenção fiscal ao microimportador (“sacoleiros”), além da lei que reconhece eventos gospel como culturais, concedendo-lhes os benefícios da Lei Rouanet que garantem financiamento mediante renúncia fiscal. Entre as homenagens que recebeu estão a condecoração como Destaque Nacional da Frente Parlamentar Evangélica (2004), Honra ao Mérito – Comissão Nacional de Defesa dos Direitos Humanos (2009) e Medalha do Mérito Legislativo (2013).

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